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sexta-feira, outubro 20, 2006

Entrevista com FHC


Periódico El Pais, de Madrid: entrevista com o ex-presidente FHC. semana de 9 a 13 de outubro de 2006.

Cardoso asegura que la crisis política no daña la economía de Brasil. El ex presidente evita criticar a su sucesor. El ex presidente de Brasil Fernando Henrique Cardoso, de 74 años, mostró ayer su convencimiento en Madrid de que la grave crisis política que atraviesa su país con la corrupción que asuela al Partido de los Trabajadores (PT) y a sus socios de Gobierno no perjudicará la economía. A su juicio, Brasil marcha en la buena dirección porque por vez primera hay consenso sobre la política económica, lo que hace menos importante la convulsión política. Cardoso evitó criticar a su sucesor, Luiz Inácio Lula da Silva, y subrayó que aún es muy temprano para descartar su reelección en 2006.
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El País - Poderá haver surpresas nesse segundo turno?
Cardoso - Ainda é muito incerto. Mas eu diria que hoje Lula perderia.
EP - O presidente tem uma imagem muito boa entre os setores progressistas da sociedade espanhola.
Cardoso - Porque sabem menos que nós.
EP - O senhor já o elogiou muito. Agora o ataca. É eleitoralismo ou Lula mudou muito?
Cardoso - Sim. A verdade é que o que aconteceu nestes últimos dois anos foi uma sucessão de escândalos e uma confusão muito grande entre a esfera pública e a privada, e se entende como privada o partido (dos Trabalhadores, de esquerda, no governo). Não creio que Lula tenha tomado a liderança do assunto para pôr um ponto final em tudo isso e abrir caminhos novos, nem um diálogo novo. Nada. Ele se acomodou à situação. Uma eleição que poderia ter ganhado com relativa facilidade, porque a situação econômica é favorável, agora ele enfrenta com apuros.
EP - Lula estava consciente da corrupção?
Cardoso - Não desejo fazer uma afirmação categórica porque não sei, mas também seria escandaloso que não tivesse percebido depois, e que não agisse em função do que aconteceu.
EP - Não parece que os escândalos tenham prejudicado a economia brasileira.
Cardoso - Não, não. A economia brasileira está forte e a economia internacional também. Lula teve uma conjuntura muito favorável durante seu mandato. Ele seguiu o mesmo rumo que nós havíamos começado. Não houve nenhuma mudança significativa nessa matéria. Talvez devesse ter mudado algo, mas não o fez. No entanto, o vento sopra a favor. O problema não vem daí. O mais grave é a utilização do aparato público para fins partidários. Isso é que é grave.
EP - Essa prática está muito generalizada?
Cardoso - Tenho a impressão de que sim, porque envolve muita gente em diferentes setores. Tudo isso está ligado, porque também se descobriu que nos municípios controlados pelo PT já havia começado essa mesma deterioração.
EP - Lula diz que o Brasil está muito melhor do que quando o senhor o entregou a ele.
Cardoso - Tomara fosse verdade, embora em certos pontos talvez sim, porque o tempo passa; mas a reforma do Estado, por exemplo, está paralisada. E tomemos o assunto onde o governo insiste mais para defender sua gestão: as bolsas para distribuição de renda. Começaram em meu mandato. Aprovei diversos tipos de bolsas, mas ele juntou todas em uma só e reduziu o controle do que se faz com esse dinheiro. Por exemplo, quando eu era presidente tínhamos a Bolsa Escola. A mãe recebia dinheiro sob a condição de que o filho assistisse a 85% das aulas. Havia outras bolsas para tirar as crianças do trabalho; outra para as mulheres grávidas... mas sempre com uma contrapartida de promoção social. Não se dava somente o dinheiro. Agora se transformou em um mecanismo de distribuição de dinheiro sem um controle mais efetivo, uma avaliação. E também se fez uma politização do processo. Mas não há dúvida de que com isso melhorou a condição de vida de muita gente. Eu o comecei, mas eles avançaram. É verdade.
EP - Ganhe quem ganhar, o Brasil fica politicamente dividido. Até que ponto a governabilidade do país será afetada?
Cardoso - Haverá dificuldades, mas a divisão política
não deriva dessa crise, e sim do sistema de voto proporcional para a Câmara de Deputados: a lei eleitoral do Brasil fragmenta muito o sistema de partidos. Os partidos têm pouca capacidade de se unir e o presidente tem de negociar com diversos grupos políticos. É um problema estrutural. Eu o tive, mas não o solucionei como Lula: comprando votos. Tentei fazer alguns acordos com os grandes partidos. Ele o fez com os pequenos, em um intercâmbio de apoio por recursos políticos e financeiros. Isso é ruim.
EP - É possível um entendimento entre seu partido e a esquerda?
Cardoso - No Chile houve a concertação, que definiu uma pauta, e eles seguem essa pauta há muito tempo; aqui não houve concertação. Há uma briga basicamente entre dois pólos: o Partido dos Trabalhadores e o Partido Social-Democrata, mas quando se medem as políticas não são diferentes. Há uma certa continuidade, embora cada um defenda que fez mais que o outro. Do ponto de vista nacional, isso não tem sentido. Bem ou mal, há uma certa capacidade de avançar no Brasil. Eu não sou pessimista nesse aspecto. Não haverá uma crise institucional.
EP - E a América Latina? O Brasil perdeu a capacidade de liderança regional?
Cardoso - Sim. Creio que o Brasil perdeu a capacidade de liderança. A América Latina tem hoje um eixo no Pacífico e outro no Atlântico. O Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai) mais Venezuela e Bolívia, por um lado, e Chile, que se aproximou do mercado andino e do México. É a primeira vez que ocorre uma divisão dessa natureza, que temos um alcance quase ideológico no conjunto. O Brasil, que nunca foi um país arrogante, não pretendia a liderança, mas por seu peso e por seu sentido comum era capaz, de alguma maneira, de equilibrar o continente. Eu creio que perdemos isso. A liderança de Hugo Chávez é visível hoje.
EP - Qual é sua opinião sobre o presidente venezuelano?
Cardoso - É um sujeito com uma formação militar e um interesse popular. A soma das duas características é Chávez. Também tem uma visão estratégica e militar. Já tem dois inimigos: os EUA e a globalização. E como militar é ousado: vai à Coréia do Norte, vai à Líbia, vai ao Irã; mas simultaneamente conta com essa visão popular. E executa uma forte distribuição de renda com o petróleo, que paga tudo isso.
EP - Apesar de ter sido eleito democraticamente, muitos não o reconhecem como democrata.
Cardoso - É militar. Tem uma vocação mais autoritária, mas a verdade é que não ultrapassou o limite. Ainda busca o voto para a legitimação. É preciso salientar nisso. Mas fora a retórica sobre Bush e outros assuntos, a história vai julgar se foi capaz ou não de utilizar os rendimentos do petróleo para mudar a economia e a sociedade venezuelanas.
EP - Um quarto de século depois das ditaduras militares, as sociedades latino-americanas apresentam vícios muito antigos: corrupção, fragilidade institucional, carências em educação, moradia ou saúde, clientelismo, incompetência política...
Cardoso - É verdade, com exceção talvez do Chile, Uruguai ou mesmo Colômbia. Não demos o grande salto à frente para deixar para trás esses problemas.
EP - A que o senhor atribui o enquistamento dessas deficiências?
Cardoso - Há um peso importante do patrimonialismo, que também é ibérico: português e espanhol. Mas outro fator é que na América Latina nunca aceitamos realmente as economias de mercado. A Espanha sim, tomou a decisão de fazê-lo realmente, o Chile também; mas na América Latina há certa ambigüidade sobre isso, o que abre espaço para o patrimonialismo, o clientelismo. As regras são rígidas, não se aceita o Estado de direito, nem mesmo a lei. Creio que é a briga que temos de continuar lutando. Eu pelo menos luto o tempo todo no Brasil.
EP - Mas os partidos, que deveriam liderar essas transformações, não têm credibilidade social nem, em muitos casos, vontade.
Cardoso - Não há dúvida. Falta-nos uma organização política mais clara, baseada em valores, em princípios, com uma visão de mundo.
EP - Algumas pesquisas alertam sobre o enfraquecimento da democracia na América Latina, a ponto de que uma porcentagem de seus habitantes aceitaria sacrificá-la em troca de prosperidade econômica.
Cardoso - Não, não acredito nisso. São pesquisas que devem ser analisadas em um determinado contexto. A realidade é que assim que começa a diminuir a liberdade as pessoas reclamam a liberdade. Dois pontos ficaram solucionados em nosso continente: a democracia, a liberdade de imprensa, sindical, de partidos, de religião. E o outro é que conseguimos, bem ou mal, organizar nossas economias para a globalização. Não todos os países, mas Brasil, Chile, México, sim... houve progressos. Não há tanto retrocesso como as pessoas pensam.
EP - A integração latino-americana quase não avança, mas que futuro tem a Alca (Área de Livre Comércio das Américas, promovida pelos EUA)?
Cardoso - EUA e Brasil já tomaram a decisão de não avançar mais com a Alca. Cada um faz os acordos que quiser. O que fazem os EUA? Acordos bilaterais com o México, Chile, Peru e América Central, e isolam o Mercosul. Perdemos as preferências que tínhamos. Os EUA as ganharam.

14 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Esse para mim já estaria eleito presidente!


Ps: Ontem o Marília derrotou o Vila Nova por 2 a 1. Atuação esplendorosa de Jorginho Gaúcho.

Foi ovacionado no fim do jogo e seu procurador Eduardo Uram confirmou propostas de grandes clubes do Brasil que vão jogar a Libertadores em 2007.

22 outubro, 2006 12:19  
Anonymous Anônimo said...

Sr. Francisco, você tá de sacanagem? Quero ver se bota entrevista do nosso líder Lula-lá. Tem que ser imparcial.

Mengão mostrou raça e bateu o Paraná Clube lá na casa deles!! vamos lá, Mengão! Rumo ao bi da Libertadores!!

22 outubro, 2006 18:31  
Anonymous Anônimo said...

Chiquin,

um clássico do futebol carioca e brasileiro (quiçá MUNDIAL!!)lá no Partisan.

Abraços!

23 outubro, 2006 00:04  
Anonymous Anônimo said...

FHC para presidente já!

23 outubro, 2006 09:31  
Anonymous Anônimo said...

Bruno,
Lulista, Petista e Flamenguista ao mesmo tempo? Só falta ser mangueirence...
Muita desgraça para uma pessoa só!
Ainda há tempo para corrigir os erros. Torço por você.

23 outubro, 2006 09:40  
Anonymous Anônimo said...

Aí, Ludwig...

por falar em corrigir, mangueirenCe não procede. É com S que se dá a construção do adjetivo: Mangueira/mangueirenSe
Friburgo/ friburguenSe

No mais, Viva a Portela!

Saudações Vernaculares,

23 outubro, 2006 11:40  
Anonymous Anônimo said...

Obrigado.
Efeitos Lula Presidente....

23 outubro, 2006 12:20  
Anonymous Anônimo said...

Então, prepare-se. Nosso Líder Supremo ganhou mais 4 anos. Ou você ainda acha que dá para o Chuchu???

Mengão campeão, Nense na segundona e Vasco e Botafogo fora da Libertadores.
Falei!
Atenção, hoje tem debate na TV !!!!

23 outubro, 2006 12:38  
Anonymous Anônimo said...

E o Massinha.........
Fora Rubinho..., levou o maior baile do Button em toda temporada.
Vai para a Sotck Car Brasil.

23 outubro, 2006 17:46  
Anonymous Anônimo said...

Para com esse negócio de diminutivo!! Alguém dizia piquezinho? Ayrtonzinho? É Felipe Massa, sem diminutivo! E pronto! tá falado! vou passar a língua no pescoço! Away!!

23 outubro, 2006 22:19  
Anonymous Anônimo said...

É Massinha pq é baixinho. Voce deve ser baiixnho tb, para se importar com isso, não é Bruninho.
Se ele fosse alto seria Massão.

24 outubro, 2006 18:37  
Anonymous Anônimo said...

valho-me da altura de meu caráter!

26 outubro, 2006 10:49  
Anonymous Anônimo said...

É Bruninho ou não é ?
Tem mais de 1,75 h. ?

26 outubro, 2006 15:35  
Anonymous Anônimo said...

É, Cardosão! Fez tanta besteira no governo que pela segunda vez seguida não conseguiu levar seu capacho para Brasília. Que vergonha! O povo não esquece! Como nós não esquecemos o Presidente Goulart e o Comandante Che. E mais, o que vale é a altura do caráter e os princípios. Ou seja, aspectos internos d'alma.
Hasta siempre, comandante Guevara! Arriba la revolución.

28 outubro, 2006 15:06  

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