Raízes do Francisco!
Por incrível que possa parecer o Brasil na virada do século XIX para XX ainda era um estereótipo da segregação e da arrogância do europeu. A ciência, se é que se pode nomear aquilo de ciência, situava em patamares inferiores da humanidade os “diferentes”: negros, mulatos, cafuzos e índios. E aqui em nosso País, seguia-se esta triste ciência, daí considerar o Brasil um país de brancos europeus. Portanto nossos limites estavam traçados cientificamente, nada além poderíamos pleitear, almejar ou ansiar. Tínhamos um problema na sociedade: o elemento negro e suas variantes. O ideário era de que o Brasil se fizera “apesar” dos negros. As raças misturadas, nossa miscigenação, condicionava-nos negativamente, justificavam nosso não desenvolvimento. Nesse aspecto, ninguém menos que Oliveira Vianna e sua pregação de “branqueamento” da raça como solução para alcançar níveis mais altos de civilização. Mas que absurdo! Todavia, o que deve ficar claro é que os povos não se diferenciam pela raça, mas pela cultura e tradição. Defeitos apontados aos negros e aos índios foram fruto do regime de escravidão imposto pelo dominador.
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Os problemas do Brasil não encontram justificativa inteligente nos povos tidos como “inferiores”, até pelo fato de muitos negros submetidos ao ridículo sistema escravocrata serem mais desenvolvidos que alguns de seus purulentos, fétidos, desdentados e analfabetos senhores europeus. Os problemas brasileiros são decorrentes do sistema econômico, produtivo e político desastrado aqui implantado e desenvolvido ao longo de 500 anos, salvo raros e passageiros momentos que foram marcados por golpes, traições, violências e truculências.
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Quanto ao nosso corpo social, somente com Gilberto Freyre e, veja só, na primeira metade do século XX é que se declarou em alto e bom som que o negro estava entre nós e que o Brasil não era um país branco, um país europeu nos trópicos. Sem o negro não havia e não haveria Brasil, afirmou o mestre de Apipucos. A mestiçagem nos é inerente e genérica, quando não na pele, na cultura. O negro, sua cultura e costumes, mudou o branco colonizador, sua maneira de pensar, trabalhar, sentir. O negro não era selvagem como diziam e dizem. Sabia ler o Alcorão. Nas senzalas da Bahia havia talvez maior número de gente alfabetizada do que nas Casas-Grandes. A herança maometana pode ser vista até hoje no branco das baianas do Candomblé e da Macumba. Veja também, que os negros sabiam trabalhar com irrigação e com metais. De inferiores não tinham absolutamente nada.
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E o português parasitário? Com sua moral sexual pervertida espalhando sífilis nas senzalas. Ele, além de tudo, tinha, ainda, grande desprezo por esta terra. Sonhara em descobrir aqui outra Índia, Peru ou um México. E o que encontrou além de uma mata hostil, fechada e solo infértil? Não havia nada a ser pilhado, construções a serem invadidas, roubadas, saqueadas, nada. Somente gente nua. Animais domésticos? Ora, os índios acreditavam que todos os animais tivessem alma, portanto, não os utilizavam para trabalhos, não eram explorados. Faziam companhia e, alguns, serviam para comer. Os índios, ainda por cima, foram tratados como retardados pelos pedófilos jesuítas, nas palavras sábias do Gilberto Freyre “donzelões arrogantes”. Estes exercitavam suas depravações com seus índios-escravos particulares vestindo-os com “camisolões de criança dormir”.
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Os problemas do Brasil não encontram justificativa inteligente nos povos tidos como “inferiores”, até pelo fato de muitos negros submetidos ao ridículo sistema escravocrata serem mais desenvolvidos que alguns de seus purulentos, fétidos, desdentados e analfabetos senhores europeus. Os problemas brasileiros são decorrentes do sistema econômico, produtivo e político desastrado aqui implantado e desenvolvido ao longo de 500 anos, salvo raros e passageiros momentos que foram marcados por golpes, traições, violências e truculências.
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Quanto ao nosso corpo social, somente com Gilberto Freyre e, veja só, na primeira metade do século XX é que se declarou em alto e bom som que o negro estava entre nós e que o Brasil não era um país branco, um país europeu nos trópicos. Sem o negro não havia e não haveria Brasil, afirmou o mestre de Apipucos. A mestiçagem nos é inerente e genérica, quando não na pele, na cultura. O negro, sua cultura e costumes, mudou o branco colonizador, sua maneira de pensar, trabalhar, sentir. O negro não era selvagem como diziam e dizem. Sabia ler o Alcorão. Nas senzalas da Bahia havia talvez maior número de gente alfabetizada do que nas Casas-Grandes. A herança maometana pode ser vista até hoje no branco das baianas do Candomblé e da Macumba. Veja também, que os negros sabiam trabalhar com irrigação e com metais. De inferiores não tinham absolutamente nada.
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E o português parasitário? Com sua moral sexual pervertida espalhando sífilis nas senzalas. Ele, além de tudo, tinha, ainda, grande desprezo por esta terra. Sonhara em descobrir aqui outra Índia, Peru ou um México. E o que encontrou além de uma mata hostil, fechada e solo infértil? Não havia nada a ser pilhado, construções a serem invadidas, roubadas, saqueadas, nada. Somente gente nua. Animais domésticos? Ora, os índios acreditavam que todos os animais tivessem alma, portanto, não os utilizavam para trabalhos, não eram explorados. Faziam companhia e, alguns, serviam para comer. Os índios, ainda por cima, foram tratados como retardados pelos pedófilos jesuítas, nas palavras sábias do Gilberto Freyre “donzelões arrogantes”. Estes exercitavam suas depravações com seus índios-escravos particulares vestindo-os com “camisolões de criança dormir”.
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Todo este amalgamado de culturas e situações nos deixou raízes e frutos. “Casa Grande” nos mostrou isso. E mais, trouxe a discussão séria e fundada de que o país não é uma democracia racial, como propunha Gilberto Freyre. Nesse ponto, ouso dizer que o mestre errou.
Todo este amalgamado de culturas e situações nos deixou raízes e frutos. “Casa Grande” nos mostrou isso. E mais, trouxe a discussão séria e fundada de que o país não é uma democracia racial, como propunha Gilberto Freyre. Nesse ponto, ouso dizer que o mestre errou.
Nas próximas postagens: Caio Prado, Sérgio Buarque, Celso Furtado, Florestan Fernandes, Emir Sader, Raymundo Faoro e muitos outros!
