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Espaço para histórias, estórias, artes em geral, amizades, natureza...só alto astral! Sejam bem vindos. Embarquem comigo nessa Magical Mystery Tour. Deixem-se levar, para bem longe, para lugares maravilhosos. Talvez vocês já tenham participado de uma viagem como esta sem perceber o que estava acontecendo. Prontos para partir? Ótimo! Afinal, estamos entre amigos!

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Local: Rio de Janeiro, RJ, Brazil

domingo, novembro 25, 2007

Bloody Sunday


As duas temporadas de desfiles na Irlanda do Norte são na Semana da Páscoa, quando católicos celebram o Levante de 1916, e de fins de junho a meados de agosto, quando os protestantes festejam a vitória de seus antepassados sobre a dinastia católica no século XVII. O passado continua vivo na Irlanda.

Em fins da década de 60, mais precisamente em 1969, os distúrbios se intensificaram e se agravaram. Influência direta dos movimentos contra a guerra do Vietnã e de direitos civis dos negros nos EUA transmitidos a toda a Europa. Com a TV, os ataques de policiais a cassetetes e bombas de gás contra os católicos também passaram a permear os noticiários. A tensão na cidade de Derry, ou, como dizem os ingleses, Londonderry aumentou consideravelmente. Os católicos do bairro Bogside se dispuseram a não mais ignorar os insultos recebidos durante demonstrações anticatólicas dos orangistas e das surras da polícia, dominada pelos protestantes. Ergueram-se barricadas nas entradas do Bogside. E nos telhados das casas e dos prédios as crianças fabricavam bombas de gasolina. Toda vez que a polícia tentava invadir o bairro era solenemente repelida por pedras e bombas. Era a autodefea contra expedições punitivas da polícia. Tremulava não a Union Jack, mas a bandeira tricolor irlandesa.


Diante da incapacidade da polícia de lidar com a situação, tropas do exército inglês foram enviadas a Derry. Seu papel era deveras difícil, posto que deveria colocar-se entre católicos e protestantes de forma imparcial, ou seja, não privilegiar um ou outro. A polícia, por sua vez, intensificava a repressão aos católicos da Falls Road, agora, utilizando blindados e metralhadoras. Tal situação inflamou os católicos de Belfast que começaram a erguer suas barricadas. As tropas do exército se espalharam junto com o conflito. Em Derry, uma ofensiva unionista foi repelida com severidade. Seu objetivo era matar pelo menos mil católicos.


Mas veja-se que no fundo o exército estava ali para proteger a supremacia de Orange, a Monarquia, o Reino Unido. Agora, barricadas eram encontradas em Derry e Belfast. O exército resolveu traçar linhas divisórias entre a região católica e a protestante de Belfast. Com arames farpados e postos de controle, fez o que ficou conhecido como o “muro de Berlim de Belfast”. Os protestantes não suportaram tal divisão e se organizaram para destruir qualquer que fosse a linha demarcatória.
Shankill Road
Além disso, os protestantes estavam frustrados da primeira tentativa reprimida de enfraquecer os católicos. Assim, agruparam-se na Shankhill Road, reduto protestante, para daí marchar contra as linhas de demarcação. A polícia e o exército chegaram para conter a turba raivosa. A confusão foi inevitável. Forçados a recuar, as forças militares revidaram e o tiroteio começou. Policiais e civis foram mortos e feridos. Diversos protestantes presos. Ao norte de Belfast, a violência também explodiu, em uma tentativa de queimar uma Igreja católica. O exército se esforçava para manter as linhas divisórias entre católicos e protestantes.

Falls Road
Enquanto isso, o IRA se organizava e cometia incêndios e outros atos danosos a propriedades públicas e privadas.

Rossville Road
Em 30 de janeiro de 1972, cerca de 20.000 pessoas se reuniram em Derry para participar de uma marcha pelos direitos civis de 600 irlandeses presos em campos de internação pelo país, sem comunicação, acusação formal, julgamento ou advogados. A marcha não foi autorizada pela Comissão de Segurança do Governo da Irlanda do Norte. A multidão teve seu caminho traçado pelo exército que a desviou do destino original> Foram, então, para para a Rossville Road, ainda no Bogside. Lá, realizaram um comício no monumento Free Derry Corner.


Durante o comício a multidão se dispersou pelas ruas próximas, inclusive aproximando-se das barreiras do exército, guarnecidas pelo oitavo Regimento de Pára-quedistas. Pedras e insultos foram os cartões de boas vindas dos manifestantes, enquanto bombas de gás e balas de borracha a resposta do exército. Os militares avançaram e começaram a efetuar prisões. Tiros foram escutados, a correria se intensificou, rajadas de metralhadora foram deflagradas em meio à névoa causada pelas bombas de gás. As balas não eram mais de borracha. Eram de calibre 7,62 mm. dos fuzis militares.

Gritos, tiros e explosões naquela manhã de domingo. Padres católicos, presentes na marcha pelos direitos civis balançavam lenços brancos manchados de sangue no apelo inútil para que a barbárie tivesse fim. Após 20 intermináveis minutos o saldo: 13 manifestantes mortos ao chão de Rossville Road. Dezenas sendo levados em estado grave ao Hospital. Quase trinta pessoas viriam a morrer por causa deste episódio, que entrou para a história como o Domingo Sangrento.
Em Dublin, após a notícia ser veiculada, uma multidão calculada em mais de 50 mil pessoas, de forma espontânea, correu em direção à Embaixada Inglesa para depredá-la, tendo a polícia de utilizar de rigor autoritário no intuito de preservar o prédio. Mas o esforço foi inútil. A 2 de fevereiro de 1972 a embaixada Britânica em Dublin foi destruída, queimada. Nos escombros, a bandeira republicana foi hasteada a meio mastro e, embaixo, a bandeira negra do IRA.


Até hoje, o processo de responsabilização dos culpados pelo Domingo Sangrento corre na justiça Britânica.


Monumento aos mortos em Derry
The Bloody Sunday Murder Victims (30-01-72):

Jack Duddy, Paddy Doherty, Gerard Donaghy, Hugh Gilmour, John Johnston, Michael Kelly, Michael McDaid, Kevin McElhinney, Bernard McGuigan, Gerard McKinney, William McKinney, William Nash, Jim Wray and John Young