Mural de Bobby Sands
Quando ele foi preso pela segunda vez, em 1977, sob a acusação de porte de arma não recebeu status de preso político. Desta forma, foi enviado ao temido Bloco H da prisão de Maze. Lá, teve contato com presos comuns, sem o conhecimento político social que ele desenvolvera. Inicialmente este foi um grande choque, mas mostrou-se, sobre tudo, um grande erro do Governo Inglês. Sands passou a ensinar e liderar os presos. Julgado sem Júri ou possibilidade de ampla defesa, foi condenado a 14 anos de prisão. Recusou terminantemente a pecha de preso comum e exigiu um julgamento justo. Negou vestir o uniforme de prisioneiro, pois não se considerava como tal devido à farsa que fora seu julgamento. De forma violenta, foi despojado de suas roupas, ficando nu. Restava-lhe, apenas, o cobertor para se aquecer. Bobby passou a ensinar a língua celta na prisão, a encorajar os presos a escreverem cartas e poemas, suas histórias. A não conversarem em inglês. Tornou-se, assim, um líder, um exemplo.
Outros presos do I.R.A. e do Sinn Féinn seguiram seu exemplo e se despojaram das vexaminosas vestes de prisioneiros sendo denominados de Blanketmen.
Mural para os presos
Durante as visitas mensais, Bobby relatava o tratamento bárbaro que ele e seus colegas recebiam nas frias grades do Bloco H. O desprendimento e a coragem de Sands transformaram os corredores da prisão em campos de batalha. Violentíssimas rebeliões e repressões eram semanais. Quanto mais violência, mais moral Sands e seus amigos ganhavam. Os escritos de Sands começaram a ser publicados na imprensa, criando uma verdadeira comoção não apenas no Ulster e no EIRE, mas ao redor do mundo.
Os guardas da prisão receberam ordens de, a todo custo, impedir que as mensagens de Sands e de seus companheiros ultrapassassem as muralhas da prisão. A determinação era que cessasse, a qualquer preço, a saída de informações que não as oficiais. Assim, as revistas tornaram-se ultrajantes. E daí para a violência, apenas um passo. Os presos tentaram esconder as mensagens no ânus. O que funcionou apenas por algumas semanas. Os guardas utilizavam luvas e pinças para vasculhar o reto e a boca dos prisioneiros. Sem o menor pudor ou higiene. A violência só aumentava, até mesmo pelo estranhíssimo fato de existir um bar que vendia bebida alcoólica para os guardas dentro da prisão. Assim, eles partiam para as revistas completamente bêbados, embriagados, dispostos a todo tipo de abusos e atrocidades.

Agora, os prisioneiros realmente estavam apavorados. A cada revista, um novo método de tortura, violência e humilhação. Todavia, quanto mais as autoridades tentavam degradá-los, mais fortes ficavam. Quanto mais violência maior a dignidade. Chegou-se ao ponto de se suspender os banhos. Retiraram, também, a cama e o material de higiene bucal. Em um cubículo vazio, frio e sujo, apenas homens de cobertor. A violência chegou a tal ponto que os prisioneiros passaram a jogar seus dejetos corporais nos guardas e nas paredes da prisão, na tentativa de manter as bestas fardadas afastadas. Aqui, fala-se não de dias, semanas ou meses. Mas de anos de protestos.
Os Grevistas
Sands continuava a liderar com energia os irlandeses católicos. Exigia que os prisioneiros políticos fossem tratados como tal. Exigia julgamento dentro da lei, justo. Exigia acima de tudo a observância de Direitos Humanos, a muito já esquecidos nos corredores da prisão.

A escalada da violência não cessava. Foi quando, então, a decisão foi tomada: greve de fome. A mais devastadora forma de protesto que eles poderiam lançar mão. O governo de Thatcher não se moveu e repeliu os apelos de políticos como Gerry Adans. Sands estava determinado. Sabia que os britânicos não recuariam. Tão pouco ele. Sabia que morreria, mas estava determinado. Após 42 dias sem comer, Bobby Sands é eleito, pelo Sinn Féin membro do Parlamento Britânico (MP). Mas não recebe o tratamento de preso político. A 5 de Maio de 1981, após 66 dias, Bobby Sands não resiste e falece. Aos 27 anos. Sua morte foi um autêntico estopim de violentos distúrbios no Ulster e de manifestações em Dublin, Estados Unidos e Nova Zelândia. Falecem, pouco depois, outros nove grevistas. Seu enterro reuniu aproximadamente 70 mil pessoas em Belfast. O I.R.A. tratou de realizar as honras militares.
Os mortos:
Bobby Sands, Belfast , 66 days, 5 May 1981.
Frank Hughes , Bellaghy (Derry) , 59 days, 12 May 1981.
Raymond McCreesh , South Armagh , 61 days, 21 May 1981.
Patsy O' Hara , Derry , 61 days, 21 May 1981.
Joe McDonnell , Belfast , 61 days, 8 July 1981.
Martin Hurson , Tyrone , 46 days, 13 July 1981.
Kevin Lynch, Dungiven (Derry) ,71 days, 1 August 1981.
Kieran Doherty , Belfast , 73 days, 2 August 1981.
Tom McIlwee , Bellaghy (Derry) , 62 days, 8 August 1981.
Micky Devine , Derry , 60 days, 20 August 1981.
Cenas do enterro de Bobby