All that you can´t leave behind...

Espaço para histórias, estórias, artes em geral, amizades, natureza...só alto astral! Sejam bem vindos. Embarquem comigo nessa Magical Mystery Tour. Deixem-se levar, para bem longe, para lugares maravilhosos. Talvez vocês já tenham participado de uma viagem como esta sem perceber o que estava acontecendo. Prontos para partir? Ótimo! Afinal, estamos entre amigos!

Nome:
Local: Rio de Janeiro, RJ, Brazil

segunda-feira, dezembro 31, 2007

McLuhan

Morre o precursor da "aldeia global"

O teórico de comunicação social Herbert Marshall McLuhan foi encontrado morto, aos 69 anos, pelo filho Eric, em sua residência, em Toronto, no Canadá. Acometido por graves problemas de saúde nos últimos anos, inclusive uma trombose que lhe paralisou o lado direito e lhe fez perder a fala, McLuhan foi obrigado a aposentar-se depois que fechou o Centro de Cultura e Tecnologia da Universidade de Toronto, onde fazia seus estudos e pesquisas. Morreu cinco meses depois, no ostracismo.

McLuhan, uma das principais influências intelectuais dos anos 60, revolucionou os padrões de ensino das escolas de comunicação dos Estados Unidos e da Europa com conceitos em que apontava para uma nova ordem social e política, a partir da comunicação simultânea e instantânea entre os habitantes de todos os pontos da Terra: a "aldeia global". McLuhan foi o primeiro filósofo das transformações sociais provocadas pela revolução tecnológica do computador e das telecomunicações. Ele disse em tom profético: "Com isso, as guerras, as linhas de montagem industrial, os dogmas políticos e a supremacia dos homens brancos serão coisas obsoletas". Essa profunda interligação entre todas as regiões do globo originaria uma poderosa teia de dependências mútuas.

quinta-feira, dezembro 27, 2007

DESEJO

(Carlos Drummond de Andrade)

Fruto do mato

Cheiro de jardim

Namoro no portão

Domingo sem chuva

Segunda sem mau humor

Sábado com seu amor

Filme do Carlitos

Chope com amigos

Crônica de Rubem Braga

Viver sem inimigos

Filme antigo na TV

Ter uma pessoa especial

E que ela goste de você

Música de Tom com letra de Chico

Frango caipira em pensão do interior

Ouvir uma palavra amável

Ter uma surpresa agradável

Ver a banda passar

Noite de lua cheia

Rever uma velha amizade

Ter fé em Deus

Não ter que ouvir a palavra não

Nem nunca, nem jamais e adeus.

Rir como criança

Ouvir canto de passarinho

Sarar de resfriado

Escrever um poema de amor

Que nunca será rasgado

Formar um par ideal

Tomar banho de cachoeira

Pegar um bronzeado legal

Aprender uma nova canção

Esperar alguém na estação

Queijo com goiabada

Pôr-do-sol na roça

Uma festa

Um violão

Uma seresta

Recordar um amor antigo

Ter um ombro sempre amigo

Bater palmas de alegria

Uma tarde amena

Calçar um velho chinelo

Sentar numa velha poltrona

Tocar violão para alguém

Ouvir a chuva no telhado

Vinho branco e tinto

Bolero de Ravel...

E muito carinho e respeito dos amigos de verdade.


(Desejo - Carlos D. Andrade)

terça-feira, dezembro 25, 2007

FELIZ NATAL!!!!!!!!

Papai Noel está ficando malandro!!





Para relaxar...

sábado, dezembro 08, 2007

Bobby Sands



"Claro que posso morrer, mas insisto que sou um preso político de guerra, e ninguém, nem os ingleses, podem mudar isso".

A primeira vez que Bobby foi preso ele tinha apenas 18 anos. Não desenvolvera, ainda, muita educação teórica formal. Sua forma de atuação política era simples e defensiva. Crescera sofrendo ataques diários de bandos truculentos anti-católicos sectários que atuavam dentro de sua comunidade, em Belfast. Não apenas ele era vítima dos corriqueiros espancamentos, mas seus amigos. Desta forma, viu no Exército Republicano Irlandês o melhor modo de se defender desses bandos. Justamente por sua ligação com o I.R.A., acabou sendo preso.

No lado católico, as placas NÂO são escritas em inglês!

Na cadeia, contudo, recebeu tratamento de preso político. Assim, pode associar-se livremente com outros presos de mesmo status. A prisão de Kesh era rodeada de cercas de arame que os presos chamaram "jaulas". Eles tinham acesso à literatura e podiam se reunir para discutir e conversar. Liam sobre as ações libertárias de Che Guevara, Camilo Torres, e George Jackson. Para Sands, a prisão foi uma universidade onde ele ficou politicamente consciente e surpreendentemente sofisticado e organizado. Solto, ele não foi somente um voluntário do Exército Republicano Irlandês, ele passou a líder. Líder este, interessado na organização de sua comunidade, moradia, transporte, educação cultura e principalmente liberdade e independência.
Mural de Bobby Sands

Quando ele foi preso pela segunda vez, em 1977, sob a acusação de porte de arma não recebeu status de preso político. Desta forma, foi enviado ao temido Bloco H da prisão de Maze. Lá, teve contato com presos comuns, sem o conhecimento político social que ele desenvolvera. Inicialmente este foi um grande choque, mas mostrou-se, sobre tudo, um grande erro do Governo Inglês. Sands passou a ensinar e liderar os presos. Julgado sem Júri ou possibilidade de ampla defesa, foi condenado a 14 anos de prisão. Recusou terminantemente a pecha de preso comum e exigiu um julgamento justo. Negou vestir o uniforme de prisioneiro, pois não se considerava como tal devido à farsa que fora seu julgamento. De forma violenta, foi despojado de suas roupas, ficando nu. Restava-lhe, apenas, o cobertor para se aquecer. Bobby passou a ensinar a língua celta na prisão, a encorajar os presos a escreverem cartas e poemas, suas histórias. A não conversarem em inglês. Tornou-se, assim, um líder, um exemplo.
Outros presos do I.R.A. e do Sinn Féinn seguiram seu exemplo e se despojaram das vexaminosas vestes de prisioneiros sendo denominados de Blanketmen.

Mural para os presos

Durante as visitas mensais, Bobby relatava o tratamento bárbaro que ele e seus colegas recebiam nas frias grades do Bloco H. O desprendimento e a coragem de Sands transformaram os corredores da prisão em campos de batalha. Violentíssimas rebeliões e repressões eram semanais. Quanto mais violência, mais moral Sands e seus amigos ganhavam. Os escritos de Sands começaram a ser publicados na imprensa, criando uma verdadeira comoção não apenas no Ulster e no EIRE, mas ao redor do mundo.

Os guardas da prisão receberam ordens de, a todo custo, impedir que as mensagens de Sands e de seus companheiros ultrapassassem as muralhas da prisão. A determinação era que cessasse, a qualquer preço, a saída de informações que não as oficiais. Assim, as revistas tornaram-se ultrajantes. E daí para a violência, apenas um passo. Os presos tentaram esconder as mensagens no ânus. O que funcionou apenas por algumas semanas. Os guardas utilizavam luvas e pinças para vasculhar o reto e a boca dos prisioneiros. Sem o menor pudor ou higiene. A violência só aumentava, até mesmo pelo estranhíssimo fato de existir um bar que vendia bebida alcoólica para os guardas dentro da prisão. Assim, eles partiam para as revistas completamente bêbados, embriagados, dispostos a todo tipo de abusos e atrocidades.

Agora, os prisioneiros realmente estavam apavorados. A cada revista, um novo método de tortura, violência e humilhação. Todavia, quanto mais as autoridades tentavam degradá-los, mais fortes ficavam. Quanto mais violência maior a dignidade. Chegou-se ao ponto de se suspender os banhos. Retiraram, também, a cama e o material de higiene bucal. Em um cubículo vazio, frio e sujo, apenas homens de cobertor. A violência chegou a tal ponto que os prisioneiros passaram a jogar seus dejetos corporais nos guardas e nas paredes da prisão, na tentativa de manter as bestas fardadas afastadas. Aqui, fala-se não de dias, semanas ou meses. Mas de anos de protestos.

Os Grevistas

Sands continuava a liderar com energia os irlandeses católicos. Exigia que os prisioneiros políticos fossem tratados como tal. Exigia julgamento dentro da lei, justo. Exigia acima de tudo a observância de Direitos Humanos, a muito já esquecidos nos corredores da prisão.

A escalada da violência não cessava. Foi quando, então, a decisão foi tomada: greve de fome. A mais devastadora forma de protesto que eles poderiam lançar mão. O governo de Thatcher não se moveu e repeliu os apelos de políticos como Gerry Adans. Sands estava determinado. Sabia que os britânicos não recuariam. Tão pouco ele. Sabia que morreria, mas estava determinado. Após 42 dias sem comer, Bobby Sands é eleito, pelo Sinn Féin membro do Parlamento Britânico (MP). Mas não recebe o tratamento de preso político. A 5 de Maio de 1981, após 66 dias, Bobby Sands não resiste e falece. Aos 27 anos. Sua morte foi um autêntico estopim de violentos distúrbios no Ulster e de manifestações em Dublin, Estados Unidos e Nova Zelândia. Falecem, pouco depois, outros nove grevistas. Seu enterro reuniu aproximadamente 70 mil pessoas em Belfast. O I.R.A. tratou de realizar as honras militares.

Os mortos:


Bobby Sands, Belfast , 66 days, 5 May 1981.
Frank Hughes , Bellaghy (Derry) , 59 days, 12 May 1981.
Raymond McCreesh , South Armagh , 61 days, 21 May 1981.
Patsy O' Hara , Derry , 61 days, 21 May 1981.
Joe McDonnell , Belfast , 61 days, 8 July 1981.
Martin Hurson , Tyrone , 46 days, 13 July 1981.
Kevin Lynch, Dungiven (Derry) ,71 days, 1 August 1981.
Kieran Doherty , Belfast , 73 days, 2 August 1981.
Tom McIlwee , Bellaghy (Derry) , 62 days, 8 August 1981.
Micky Devine , Derry , 60 days, 20 August 1981.


Cenas do enterro de Bobby



Tal qual ocorrera em janeiro de 1972, as fileiras do I.R.A. cresceram enormemente após este fato. Naquela noite, centenas de jovens alistaram-se e ingressaram no Exército Republicano Irlandês.

Belfast: loyalist side


Belfast no lado protestante

A separação entre irlandeses católicos e ingleses protestantes
O muro que separa os lados...
Grades


Muro, arame farpado e cercas

O resultado...
Perceba o muro e a cabine de polícia.


Essa é a Divis Tower. Um dos prédio mais altos de Belfast, próximo da Falls Road. Por ter uma visão privilegiada, foi ocupada pelo exército britânico nos anos 70 para observações. Todavia, também era um ótimo posto para posicionamento de atiradores de elite, os snipers. Dito e feito, do último andar, assassinaram muitos católicos militantes do IRA e do Sinn Féin, com tiros certeiros. No final dos anos 70, os militares só chegavam ao prédio de helicóptero, pois pelas ruas era arriscado demais. Em 12 de maio de 1981, quando Francis Hughes, participante da Hungry Strike faleceu, os atiradores do alto do prédio abriram fogo contra os manifestantes, seguindo a rotina de assassinatos do Estado. O posto de observação foi desativado em 2005.
(Obs. aqui na Irlanda chove mais que na Inglaterra!)
Assim é Belfast.